Este é o título de uma filmaço que assisti domingo, no Estação Vivo, no Shopping da Gávea. Aliás, apesar de ser distante da minha casa e do “precinho” salgado dos ingressos, o “sacrifício” tem valido a pena. As salas são pequenas e bastante confortáveis.
O filme é uma produção cinematográfica que deixa de ser, simplesmente, mais uma dentre várias animações norte-americanas a partir do momento que as personagens se revelam tão, ou mais, intensas quanto seres humanos. A estória tem humor, mas, ao mesmo tempo, é comovente, profunda e triste. O roteiro trata de assuntos existenciais com muita inteligência e delicadeza.
Diante do caos mundial, martelado incessantemente nas nossas cabeças pela mídia, fica aí uma boa opção de lazer que nos leva a refletir sobre algumas sutilezas da vida: amizade, relacionamentos, religião, sentimentos, fatalidades, doenças, preconceito, etc.
Não quero escrever mais pra não contar a estória, mas se ficou curioso, clique no link oficial do filme http://www.maryandmax.com/ e dê uma conferida.

abril 21, 2010 às 4:24 pm |
Oi, Cris!
O filme “Mary and Max” é, realmente, sensacional – e, inclusive, superou as minhas expectativas, as quais, por sinal, já eram altas! A caracterização das personagens é brilhante, de modo que, durante a apresentação, nós até “esquecemos” que estamos diante de uma animação, e não de atores e atrizes de “carne e osso”!
Sem dúvida alguma, também recomendo!
Beijos, Cris!
Daniel Marins
PS: E a bela música do filme fica na nossa cabeça! Foi muito bom passar no site da animação e ouvi-la novamente!
abril 21, 2010 às 6:21 pm |
Quero saber quando você vai escrever um belo texto teatral para me lançar como atriz!hehehe!TÔ precisando tanto!rsss
Beijos
Bia
maio 10, 2010 às 4:34 pm |
Cristina,
Este seu mais recente texto me fez recordar, com especial saudade, da época em que freqüentava o festival Anima Mundi como uma aventura. Em seus primeiros anos, eu o percebia envolto pela magia do cinema (de animação), que, de modo mais amplo, era a magia da criatividade.
Nas salas escuras, iluminadas pela imaginação, desenhos animados e outras formas dessa expressão chamada cinema de animação, que pode ser entretenimento ou arte (de preferência, os dois juntos), me faziam sonhar. O próprio ambiente do festival, com espaços pra qualquer um brincar um pouco com técnicas como o desenho, a massinha, a areia, a pintura (inclusive no vidro), o recorte, o pixilation, a convivência de personagens de carne e osso e personagens desenhados, por exemplo, e o 3D, era um convite a deixarmos a imaginação no poder. O ambiente do festival era de muitas pessoas querendo conhecer e se conhecer. Muitas dessas pessoas conversavam sobre tudo nas filas, com sorrisos de esperança. Não era raro vermos jovens com pastas cheias de desenhos, entusiasmados com a possibilidade de serem mais do que espectadores naquele universo. Também compunha o interessante ambiente o fato de que os filmes no Anima Mundi vinham de vários países e tinham vários estilos. Pra mim, a França e o Leste Europeu se destacavam em termos de qualidade. Pouco a pouco, o Brasil foi outro que apresentou uma boa produção. Mas havia obras de diversos países pelas quais valia a presença.
Em 2003, escrevi uma reportagem sobre o Anima Mundi na revista Cadernos do Terceiro Mundo, que, é uma pena, não existe mais. Nela, entre outras coisas, ressaltei que esse festival era uma forma de incentivar a descolonização do cinema de animação. Citei que, de acordo com o sociólogo Emir Sader, 75% das imagens divulgadas pelo mundo afora atualmente são produzidas nos Estados Unidos.
No Anima Mundi, vi alguns filmes que me inspiraram muito e que continuam me inspirando. Entre os brasileiros, está De Janela pro Cinema, de Quiá Rodrigues. É uma bela homenagem ao cinema. É um pequeno poema em prosa que beija o cinema. Seus personagens são personagens que marcaram a história da imagem em movimento e todo o seu ambiente traz referências à sétima arte. No final, Marilyn Monroe se apaixona por Grande Otelo como Macunaíma. Pra assistir, vá até http://www.youtube.com/watch?v=gbfEIThfoJc .
Outro brasileiro que me chamou especialmente a atenção foi Alma Carioca, de William Côgo. Copio aqui o que escrevi na época, na Cadernos do Terceiro Mundo, sobre esse desenho “sobre o chorinho no Rio de Janeiro, principalmente na época de Pixinguinha (1897-1973), considerado um dos mais importantes músicos brasileiros. O filme é uma viagem pela música e pelo centro histórico da cidade e mostra um garoto aprendendo a tocar flauta com Pixinguinha. Donga, autor de Pelo telefone, primeiro samba gravado no Brasil, e João da Baiana também são homenageados no curta”. As cores são muito bem trabalhadas por William Côgo. Esse é um dos aspectos a partir dos quais ele consegue nos transportar pro ambiente retratado. Quando o filme mostra uma rua à noite, iluninada pela lua ou por uma lâmpada, realmente parece que estamos nessa noite.
Mais um representante do Brasil de que me lembro bem é As Viagens de um Saci, de Moisés Cabral e Dustan Oeven. Eis mais um trecho da reportagem na Cadernos do Terceiro Mundo: “O narrador, uma espécie de Eric Hobsbawm animado, conta as aventuras do Saci, uma das principais personagens da cultura brasileira, pela história do mundo no breve século 20. Ele sai do interior do Brasil, ainda famoso, e faz várias escalas antes de voltar e ficar ofuscado pela concorrência das videntes, das fadas, dos duendes e dos magos globalizados, sendo visto apenas por alguns ‘bichos-grilo’. Entre outras situações muito bem humoradas, encontra Monteiro Lobato, que o incorporou à literatura, é expulso da União Soviética por Josef Stalin, que pega a foice e o martelo da bandeira para ameaçá-lo, tem que se exilar durante a ditadura brasileira pós-1964, caminha com os Beatles em Abbey Road e ruma para Cuba pós-revolução, mas acaba na Jamaica, onde ouve reggae, conhece a cultura rastafari e compartilha o cachimbo da paz”.
A série América Morena, feita pelo estúdio Animagem, coordenado por Rui de Oliveira, também tem muito a ver com a descolonização do cinema de animação. Era feita a partir de lendas latino-americanas, inclusive pré-colombianas. Os dois desenhos dessa série que vi foram Amor índio e A lenda do dia e da noite. O primeiro tem como fonte lendas astecas. O segundo é inspirado em lendas dos índios Karajá. A estética dos filmes também se fundamenta nas dos povos respectivos.
Conheci um pouco alguns animadores brasileiros, como o Quiá Rodrigues, o William Côgo, o Rui de Oliveira e outros do Animagem, do qual, aliás, o Wiiliam Côgo fez parte. Foi com o pessoal do Animagem que cheguei a conversar mais vezes. Esse estúdio, cujo nome completo era Oficina de Cinema de Animação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), funcionava onde fiz faculdade e onde cheguei a trabalhar um pouco depois de formado. Qualquer dia, voltarei à Uerj pra, entre outras coisas, verificar se o Animagem continua lá.
Como escrevi na Cadernos do Terceiro Mundo, “a história do Anima Mundi é marcada por filmes sobre a opressão e a liberdade e sobre questões existenciais. Amerlock, de Jacques-Rémy Girerd, do estúdio francês Folimage, é uma sátira aos mitos estadunidenses. Cinq Doigts pour el Pueblo, de Bruce Krebs, conta, só com imagens e música, como o popular cantor chileno Victor Jara foi torturado e morto na ditadura de Pinochet. Inspirado numa lenda do oeste africano, o longa Kirikou et la Sorcière, de Michel Ocelot, é a história de um garoto que livra seu vilarejo da maldição de uma feiticeira, ao retirar de suas costas um espinho que, fazendo-a sofrer, era fonte de sua maldade. [...] O russo [Alexander] Petrov fez O Velho e o Mar a partir do texto homônimo de Ernest Hemingway e conseguiu uma das principais obras-primas do cinema de animação, utilizando uma técnica de pintura sobre vidro”.
Pra conhecer um pouco melhor Cinq Doigts pour el Pueblo, você pode (e vale a pena) dar uma olhada no seguinte endereço eletrônico:
http://pagesperso-orange.fr/atelier.bruce.krebs/films/cinq_cine.htm . Pra ter uma noção de como é Kirikou et la Sorcière, você pode entrar em
http://www.youtube.com/watch?v=OZ7kAfsqkKE . Procure também Azur et Asmar, outra animação de Ocelot. Uma parte de O Velho e o Mar pode ser encontrada em http://www.youtube.com/watch?v=l2_KszEnlq0&NR=1 .
Magia Russica, de Yuri Norstein (acho que fez com outras pessoas), é um documentário israelense sobre um estúdio de cinema de animação chamado Soyuzmultfilm, que existia na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Apesar de a URSS não ter sido propriamente socialista e nem mesmo soviética, inclusive porque submeteu o lema Todo o poder aos sovietes à lógica de Todos os sovietes sob o poder, os animadores desse estúdio tinham a possibilidade de criar belos filmes. No documentário, esse animadores demonstram saudade de uma época em que esse tipo de arte era valorizado como arte mesmo em seu país. Não esquecem da censura, mas avaliam que a censura do mercado também tem sido ferrenha.
Magia Russica reforçou em mim a idéia de que é necessário que haja políticas públicas pra garantir a produção de animações artísticas, com diversidade cultural e de estilo. Ao mesmo tempo em que é preciso que os cineastas de animação se unam em cooperativas, a fim de aumentar ainda mais seu grau de liberdade, com autogestão. Se realmente a televisão fosse pensada como um veículo de disseminação massiva de produções culturais de qualidade, haveria espaço nela pra animações de arte, que também seriam entretenimento. Hoje, no nosso país, o único espaço nesse sentido que conheço, com alcance nacional, é o programa Animania, que passa na TV Brasil.
Abraços.
Antony
maio 10, 2010 às 9:57 pm |
Cristina,
Apresento aqui uma errata. Não foi Yuri Norstein que fez Magia Russica, mas Yonathan e Masha Zur. Yuri Norstein é um dos animadores do Soyuzmultfilm que fala nesse documentário, que é uma co-produção israelense e russa. Você pode ver um treiler de Magia Russica em http://tvuol.uol.com.br/cinema/trailers/2005/03/29/ult2489u316.jhtm .
Abraços.
Antony