Resoluções 2010

janeiro 22, 2010 por bolhalilas

Começamos o ano fazendo várias promessas, mas, na menor distração, as propagandas de Natal já estão bombardeando todos os meio de comunicação. Na passagem do dia 31 para o dia primeiro, o ar se contamina de euforia, expectativas, superstições e uma lista – seja ela mental ou não – com todas as promessas de mudança e itens de compromissos para realizar no novo ciclo. Emagrecer, mudar de emprego, arranjar um namorado, fazer mestrado, começar a malhar, parar de fumar, viajar mais, enfim, uma infinidade de “tarefas” a cumprir.

De uns anos pra cá, percebi que não compartilho mais este clima de euforia.  Sei lá, não quero ser pessimista não; aliás, ando lutando faz anos contra isso. Mas comemoramos um futuro sem ter nenhuma noção do que nos espera ali na frente.  Ano passado, por exemplo, quinze dias após a virada de 2008 pra 2009, um ente querido da minha família faleceu. Era uma moça bonita, nova e que ninguém esperava um desfecho tão triste. E, assim, outros eventos traiçoeiros nos pregaram algumas peças no caminho. Mas, eu sei, faz parte. Assim é a vida.

Neste ano, mal a fumaça dos fogos se dissipou no ar e lá vieram péssimas notícias logo no primeiro dia do ano: o desabamento de casas e de uma pousada em Angra dos Reis e em vários outros lugares do Brasil. Do outro lado do mundo, o frio também castigou outros meros mortais. Mal acabou o mês de janeiro e lá vem mais desgraça: o terremoto no Haiti. Cenas horrorosas são transmitidas incessantemente na mídia. E nós seguimos com a nossa lista.

Muitos, a esse ponto, devem estar se perguntando: onde quero chegar? Na verdade, a lugar nenhum. Apenas gostaria de levar quem se interessou em ler este texto até aqui a uma breve e humilde reflexão.

Estamos ligados num botão automático, ansiosos, irritados, apressados, esmagados pelo sistema, o qual nos impele a nos tornarmos cada vez mais dependentes dele e, ao mesmo tempo, a acreditarmos que o que ele dita é o melhor pra nós. É mesmo? Quanto que a imagem é importante pra você? E o dinheiro? E os bens materiais? E o trabalho que realiza? Que busca incessante é essa que temos por uma felicidade que, muitas vezes, é imposta sem nem percebermos? É a sociedade que deseja que você se case, tenha filhos daqui a não sei quanto tempo ou é você que, no fundo, quer isso? Eu sei, eu sei, não temos como fugir e não temos como andar totalmente na contramão. Soa até falso; mas uma dose de reflexão, autocrítica e luta pelo que você realmente acredita não faz mal a ninguém – e pode fazer a diferença no momento de lutar em conjunto por um bem comum, concordam?

Proponho, assim, inserirmos em nossas listas a obtenção de uma consciência mais coletiva, de um consumismo mais saudável, de uma simplicidade que se perdeu no meio de toda essa modernidade e de uma felicidade que se basta pelo bom funcionamento do corpo, da mente e do espírito – e que preza pelos simples prazeres da vida.

Saudades da Bibi

dezembro 2, 2009 por bolhalilas

As caixinhas de Natal.

O Natal se aproxima e sempre fico bastante reflexiva neste período. E angustiada também por achar a energia carregada com as pessoas frenéticas atrás de presentes de Natal. Tendo religião ou não, o espírito natalino traz a ideia de confraternização entre as pessoas, mas são poucos que estão realmente atentos a esta questão. A maioria está preocupada em comprar, comprar e comprar, sem se dar conta de que o valor dos presentes não é simplesmente material. Às vezes, uma bela mensagem é bem mais gratificante.

Lembro-me bastante de quem me ensinou a pensar assim: minha doce e amada vovó Jandyra. Saudades imensas da minha Bibi! Da nossa Bibi, porque os que a conheceram, com certeza, sentem tantas saudades dela quanto eu; e, conforme a própria dizia, muitas vezes, em tom de ameaça: “quando eu morrer vocês sentirão muito a minha falta”. E, quanto a mim, ela acertou na mosca.

Bibi partiu deste mundo no dia 30 de novembro de 2007, um dia antes do meu chá de panela. Um período confuso, de muitas mudanças na minha vida, desafios no trabalho, mudança de casa, preparativos de casamento; mas ela cumpriu o que sempre me prometera: que completaria 100 anos.

Minha avó se julgava uma pessoa sem graça, mas de sem graça ela não tinha absolutamente nada. Muito teimosa e metódica, dizia que conhecia o mundo através da leitura e só hoje percebo que possuía grande sabedoria. Cheia de qualidades e defeitos, eu ainda a amo de paixão e a imagino sempre na hora que vou dormir puxando meus pés com as mãos frias como costumava fazer ao me acordar pra ir à escola. Ela dizia: “quando eu passar desta pra melhor, voltarei para puxar o pé de vocês (meu e dos meus primos) e assim mostrar que ainda estou por aqui tomando conta de vocês”. Muitos acharão macabro; e nós mesmos, na época, falávamos: “Cruzes Vó!” No entanto, até hoje ela não puxou meu pé, mas sinto fortemente a presença dela ao meu lado.

São inesquecíveis os momentos vividos ao lado de vovó Jandyra. O cheiro da broa de milho no fim da tarde que comíamos com café, a torta de banana com canela, os doces em compota, as trouxinhas de alface (que ela inventava para nos forçar a comer verduras), a maçã raspadinha, a hora das novelas, o chá preto antes de dormir, a conversa com as plantas, o rádio ao pé do ouvido em que escutava A Hora do Brasil, as aulas de artesanato em que ela nos ensinava tapeçaria, a criação de cartões de natal, a decoração de sabonetes com figurinhas e esmalte, a coleção de selos, figurinhas e revistas, a estória do Jorginho (que minha mãe nunca deixou ela contar até o final, porque chegava um ponto tão triste da narrativa que a minha mãe, ainda bem pequena, começava a chorar de tristeza pela desgraceira que era a vida do Jorginho, impossibilitando a minha avó de terminar a estória, que, por sinal, tinha um final feliz, cheio de ensinamentos morais).

Bem, não é possível relatar 100 anos de vida em apenas uma página de blog, mas dá ao menos para expor minha saudade e homenagear a minha querida vózinha.

Hoje, percebo o imenso afeto que a minha avó tinha pelos seus filhos e netos e que a presença dela continua tão intensa em nossas vidas que, neste Natal, eu e minha mãe estamos enfeitando caixinhas para presentear familiares e amigos. Enquanto escolhemos os tecidos, cortamos cartolinas, discutimos quem vai fazer o que e como, lembramos que vovó Jandyra adorava este tipo de atividade. Além disso, recordamos também os vários provérbios populares que Janjan (ou Florzinha, como a minha irmã mais velha costumava chamá-la) dizia de acordo com a situação apresentada – e que, atualmente, a família usa e, claro, lembra dela.

Eis alguns provérbios que, com a ajuda da minha mãe e da minha prima Anninha, anotei para usar e nunca esquecer:

“Recordar é viver; é transformar num sorriso o que nos fez sofrer”.

“Este mundo é um pinico sem fundo”.

“A oportunidade é careca”.

“Sua alma, sua palma”.

“O que é seu, nas suas mãos há de vir”.

“Quem come e guarda, come duas vezes”.

“Formiga, quando quer se perder, cria asa”.

“Boa romaria faz quem em sua casa fica em paz”.

“Quem com os porcos se mistura, farelo come”.

“Diga-me com quem andas e te direi quem és”.

“Pela carruagem se vê quem vem dentro”.

“Tudo demais faz mal”.

“Seja tudo pelo amor de Deus”.

“Deus infinito poder está em mim, me guia e me protege”.

Além destes, minha prima lembrou de algumas frases bem típicas usadas por ela em algumas situações, por exemplo:

Sempre que vovó Jandyra estava perdendo numa discussão, terminava o debate num rompante dizendo: “Ah! Então não quero saber… Até logo, hein?!”.

Ou, quando ia contar algo sobre o passado dela, começava assim: “No tempo em que eu era gente…”

Quando discutíamos sobre religião, afirmava: “Eu não sou espírita, eu sou es-pi-ri-tu-a-lis-ta”.

E dizia sempre que era mais importante ser bonito por dentro do que por fora porque a juventude passa.

Termino este texto entre gargalhadas, lágrimas e muito feliz por constatar que tive a sorte de ter uma avó e tanto!

É, vovó Jandyra, de fato sinto muito a sua falta! “Recordar é viver…” e me contentar com as suas delicadas lembranças.

Desejo a todos, que acompanham a Bolha Lilás, um Natal repleto de harmonia, saúde e paz. Celebrem a vida, pois conforme dizia a minha avó: “Ninguém sabe o dia de amanhã”.

Palhaçada

outubro 20, 2009 por bolhalilas

Bozo1Dei um tempo para digerir o assunto Olimpíadas 2016 e confesso: desisto. Podem me chamar de chata, mal humorada, pessimista, blá, blá, blá, blá, blá… O fato é que, depois de tudo que vi e li sobre o assunto, chego à triste conclusão de que há um número muito, mas muito restrito de pessoas que fazem uma análise lúcida a respeito do tema (não me incluo neste grupo, pois não possuo a frieza necessária para tal).

Na minha opinião, tanto faz quem é “pró”, “contra” ou “meio termo”, porque, no fundo, o roteiro deste evento não será diferente de tantos outros que já li, vivi e presenciei. Será mais um Carnaval, um jogo de Copa do Mundo ou de vôlei em qualquer Olimpíada, no qual nos sentimos brasileiros neste momento de euforia – e festejamos; mas, na verdade, não queremos discutir, participar e nem nos aporrinhar com absolutamente nada (porque, vamos ser sinceros, para exercermos a nossa cidadania – e, com isso, exigirmos dos nossos representantes os nossos direitos – temos que dar conta dos nossos deveres, que não são apenas os de pagar impostos, votar, fazer coleta seletiva do lixo e não avançar o sinal de trânsito). Vai bem além disso. Mesmo assim, “A gente vai levando, a gente vai levando” – lembram desta canção do Chico Buarque?

Poderia expor aqui uma análise super elaborada; levar dias para terminar este texto; pedir para várias pessoas, nos seus diferentes posicionamentos, lerem e debaterem o que escrevi antes de publicar no blog. Entretanto, isso tudo se torna inútil quando, mais uma vez, constato que, neste País, as mudanças sempre ocorrem de fora pra dentro e não de dentro pra fora.

Desculpe o desabafo.

Conhece Ouro Preto?

outubro 1, 2009 por bolhalilas
Praça Tiradentes

Praça Tiradentes

Pois é, eu ainda não conhecia e fui lá conferir. Sempre ouvi falar que é uma cidade que vale muito a pena visitar, principalmente pela sua importância histórica para o Brasil. Também sempre ouvi dizer que, para ir a Ouro Preto, a pessoa tinha que gostar muito de caminhar e estar preparada para subir e descer ladeiras. Além disso, deveria ter disposição para conhecer igrejas.  São, ao todo, treze, se não me engano, e se der visite todas, o que nem sempre é possível por algumas estarem em restauração e outras, infelizmente, abandonadas.

No entanto, há um pequeno problema que eu achava que era uma preocupação apenas dos alérgicos como eu: o mofo. E, de fato, percebemos que essa é a  preocupação número um de vários turistas.

Descolamos uma pousada recém inaugurada chamada Pousada dos Ofícios. Muito boa, com preço justo e que fica bem perto do Centro Histórico (ou seja, da para ir a pé até lá). Falando em andar a pé, deve-se ter em mente que este é um “quesito básico”, já que o trânsito em Ouro Preto é um verdadeiro caos. Ficamos surpresos e chocados com a permissão do tráfego de ônibus, carros, vans (isso mesmo vans!) e motos dentro do Centro Histórico. O resultado disso se resume a pedestres se espremendo nos meio-fios, pois não existe calçadas com largura suficiente para duas pessoas, e, somado a isso,  muito barulho e fumaça.

Para aqueles que acham que chegariam a uma pacata cidade do interior, vocês estão muito enganados. Fui em baixa temporada e encontrei considerável movimento. Esqueci de dizer que, além de turística, Ouro Preto também é uma cidade universitária; logo, o que mais se encontra lá são bares onde os estudantes se reúnem.

A culinária mineira é famosa pelo seu tempero carregado e é, realmente, uma delícia; porém confesso que, durante os seis ou sete dias em que fiquei lá, não consegui jantar em nenhum deles. O café da manhã é quase um almoço com sucos, bolos, pãezinhos de queijo, frios e várias outras guloseimas. Por conta disso, costumávamos almoçar tarde, a partir das três horas, e nosso prato era, obviamente, servido com todos os quitutes “à mineira”. Isto sem falar na sobremesa!!! Doce de figo, laranja, abóbora, goiabada cascão, doce de leite, hummmmmmmmmmmm! Mas não se preocupem: tudo é queimado nas subidas e descidas das ruas de Ouro Preto.

Exposição sobre a Monalisa na Casa dos Contos

Exposição sobre a Monalisa na Casa dos Contos

Os museus que ninguém deve deixar de ir são o Museu da Inconfidência, Museu do Oratório, Museu do Aleijadinho, Museu de Arte Sacra de Ouro Preto, além da Casa Guignard e da Casa dos Contos, na qual havia uma exposição bem interessante sobre a Monalisa. Só para esclarecer, eu achei, a princípio (e meu marido também), que o nome “Casa dos Contos” fizesse menção a contos ou literatura, mas na verdade não é nada disso. O nome é este porque, no passado, em 1784, o estabelecimento foi uma residência e, depois, passou a ser a “Casa de Contratos”, destinada à arrecadação de impostos. Em 1789, ela serviu também como a prisão dos Inconfidentes, além de sede da Administração Pública da Capitania de Minas Gerais.

E, para terminar, não deixem de ir a Mariana. Fica a 20 minutos de carro e, lá sim, encontramos uma pacata cidade do interior. Além de haver mais igrejas e museus de arte sacra para visitar, há o interessantíssimo passeio à Mina da Passagem. Imperdível! De acordo com as informações que li, esta é a maior Mina de Ouro aberta à visitação no mundo. A descida para as galerias subterrâneas se faz através de um trolley, que chega a 375 metros de extensão e 120 metros de profundidade, onde se vê ainda um lago natural em que é comum a prática de mergulho por profissionais. A temperatura dentro da mina é estável, entre 17 a 20 graus, e, desde a sua fundação, no início do século XVIII, foram retiradas aproximadamente 35 toneladas de ouro.

Mina da Passagem

Mina da Passagem

Ainda no final deste passeio, o guia demonstra como era realizada a última fase de extração do ouro.

Quem se interessar e quiser dicas, é só falar!

“Spread the word”

setembro 1, 2009 por bolhalilas

yunusAlguém aqui acha que as desigualdades socioeconômicas entre as pessoas poderiam ser bem menores do que são e sempre foram? Sim? Não? Bem, eu tinha as minhas dúvidas até assistir, no canal ManagemenTV, a uma entrevista com o banqueiro dos pobres, MUHAMMAD YUNUS.  Peguei o programa pela metade, mas deu para ter uma idéia do que se tratava o assunto.

MUHAMMAD YUNUS é o fundador e diretor do “Banco Grameen”, uma fundação que tem como objetivo terminar com a pobreza global. Muitos dirão que o cara é doido, sonhador, utópico etc; no entanto, ele comprova, “por A + B”, que esta “utopia” é possível – e que, no caso dele, vem dando ótimos resultados. Segundo YUNUS, a “Fundação Grameen” usa a micro finança e a inovação tecnológica com o intuito de lutar contra a pobreza global, criando, assim, oportunidades para os excluídos.

A dinâmica acontece da seguinte forma: primeiro, a pessoa pega um empréstimo pequeno no banco com a intenção de investir em alguma atividade econômica local (seja vender ovos de galinhas, seja comprar vacas e, depois, vender seu leite, seja produzir artesanatos, e assim por diante). O valor, que esta pessoa pega emprestado com o banco, é pago em um prazo curto; e, conforme o crescimento do negócio, ela adquire, novamente, outro empréstimo – só que num valor um pouco mais alto.  O resultado é surpreendente: as pessoas, na grande maioria das vezes, conseguem desenvolver, com sucesso, o seu negócio e obter sua subsistência. Mais surpreendente ainda é constatar que o número de calotes e “cheques sem fundo” é quase nulo e que 34 milhões de pessoas em 24 paises foram beneficiadas por esse banco!

Outro fato que chamou minha atenção foi o relato dele em relação ao trabalho que a “Grameen” desenvolve com os mendigos. Os funcionários da instituição financeira conversam com estas pessoas e tentam convencê-las de que, ao invés de gastarem o seu tempo pedindo esmolas, elas poderiam oferecer algum tipo de serviço. Que peçam esmolas, mas porquê não prestar, paralelamente, algum serviço? Mais uma vez, o resultado é bastante interessante: muitos mendigos pararam de pedir esmolas e começaram a ganhar dinheiro em troca de serviços prestados ou em troca de produtos – na maior parte artesanatos – produzidos por eles mesmos. Outros continuaram a pedir esmolas, mas, pelo menos, começaram a utilizar parte dos seus dias para ganhar uns trocados, tal como qualquer trabalhador.

De acordo com MUHAMMAD, qualquer ser humano tem capacidade criativa e potencial empreendedor, sendo necessário, tão-somente, que lhe seja dada uma oportunidade. Aliás, na sua opinião, a pobreza poderia ser erradicada, faltando, apenas, vontade cívica e política.

Nunca fui engajada politicamente; vivi a adolescência dentro do padrão de alienação do jovem de classe media brasileira. Contudo, conviver com a desigualdade sempre me gerou desconforto. Já participei de programas voluntários; elaborei uma dissertação sobre o programa de voluntariado do Hospital do INCA e participei de outros projetos em prol daqueles menos afortunados. Entretanto, o que eu gostaria mesmo era de trabalhar com algo em que vislumbrasse mudanças e resultados de forma realmente eficaz.

Depois de conhecer MUHAMMAD YUNUS e seu “negócio social”, percebi que, se quisermos fazer a diferença e proporcionarmos transformações relevantes em nossa sociedade, necessitamos apenas de boas idéias, iniciativa e disposição para arregaçar as mangas.

Admito que ainda não fiz nenhuma delas. Em todo caso, divulgo, neste blog, desde já, o excepcional trabalho desenvolvido por YUNUS, cujos efeitos benéficos, na esfera social e econômica, somente poderão ser avaliados, de forma mais profunda, daqui a muitos anos – principalmente porque o projeto não tem como objetivo fazer, de maneira simplista, caridade, mas, sim, inserir a população de baixíssima renda no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que se viabiliza a criação de melhores condições de vida, fruto de um pensamento solidário e sob um espírito de fraternidade.

De acordo com o site da “Grameen Foundation”, há algumas maneiras de ajudá-los, sendo que uma delas se chama “spread the word”, o que significa divulgar este empreendimento para a sua rede de contatos.

Interessei-me pela causa e a estou divulgando aqui! Para os que tiverem curiosidade neste assunto, a entrevista com o banqueiro vai passar novamente na ManagemenTV, dia 02 de setembro, próxima quarta-feira, às 16 horas.

Agoniando Cristina Crespo

agosto 21, 2009 por bolhalilas

Desespero_02

Hoje entendo bem o que minha querida ex-chefe, Teresinha, queria dizer quando me descrevia como sendo “um ser em agonia”. De fato, preciso de ajuda e seria interessante fazer um programa na linha do “Irritando Fernanda Young”, mas com o enfoque um pouquinho diferente. Que tal “Agoniando Cristina Crespo”?  Pelo menos, defenderia uma grana e, ao mesmo tempo, trataria das minhas neuroses. Bem, pra início de conversa, tudo me incomoda: a começar pelos meus vizinhos.

Todo santo dia, por volta das nove e pouca da manhã, uma costureira, que fica virada para janela de todas as janelas da minha casa, escuta “em não sei quantos decibéis”, o programa do padre Marcelo Rossi. Nada contra o padre ou o programa dele, ok!? Para completar o meu desespero, quando as músicas de igreja começam a tocar, os cachorros de outro vizinho (são uns quatro ou cinco cãezinhos) fazem coro com a canção, uivando cada um no seu tom bem desafinado. E esta orquestra sinfônica tem efeitos sonoros complementares: várias obras acontecendo simultaneamente (em cima, em baixo, e para todos os lados). Tá bom ou quer mais?

Esse caldeirão de barulhos segue o dia inteirinho, com uma parada para a galera almoçar, é claro. No final do dia, eles são substituídos por outros: o sambão do 303, o funkão do 408 e uma criança, ou mais (até agora não consegui identificar), que não chora simplesmente, mas grita.

Descolei uns “CD’s Zen” com a minha professora de yoga e passo a maior parte do meu dia com fones de ouvido no último volume para tentar driblar esta situação caótica. No entanto, os sons do sambão e do funkão reverberam e eu sinto o “tumtum” no chão, nas paredes, e até no meu lap top.

Tudo isso sem contar a sinfonia das buzinas em turnos alternados. Ou seja, me concentrar tem sido uma tarefa árdua! Cheguei até a sentir saudade do meu cantinho no trabalho, mas lá outras situações me levavam à agonia. Receber e-mails irrelevantes era uma delas; discutir o óbvio ululante e enviar comunicados também. Perdoem-me o desabafo e a exposição, mas admito que o problema está dentro de mim – e é só meu.

Somado a isso, não me dêem opções de escolha; eu enlouqueço diante delas! Elas me agoniam!!! Segundo o meu marido, o programa “Agoniando Cristina Crespo” começaria assim: “Cris, você quer comer um bolo de cenoura com cobertura de chocolate?” E eu diria com a boca cheia d’água: “Sim, óbvio”. Porém ele sugeriria: “Mas o quê você prefere: o bolo ou o brownie com sorvete de amarena da sorveteria italiana?” Pronto, está criada a confusão na minha cachola. “Tico e Teco” entram em pane!!!  As simples frases “você prefere” e “o quê você acha” me fazem entrar num mar dos “e se…?” sem fim.

Quero voltar a trabalhar, mas ao mesmo tempo não quero. Quero ler vários livros, mas só consigo um de cada vez. Até hoje não sei qual profissão seria melhor pra mim. Oscilo entre medicina, teatro, psicologia, dar aulas de yoga, inglês, me aprofundar em lingüística, me tornar tradutora… HELP ME!!!

Se vou conseguir amenizar o “ser em agonia” que habita o meu ser, não sei; mas confesso que, às nove e pouca da manhã, se a costureira não escuta o programa do padre Marcelo Rossi, eu bem vou na janela verificar o que aconteceu. Será que estou começando a gostar da “louca sinfonia matinal”?

Cinco coisas que não sou, mas gostaria tanto de ser que arrisco

julho 24, 2009 por bolhalilas

Fui também convidada pelo Lessa para participar da brincadeira. Tenho que confessar que, pra mim, não é uma tarefa assim tão fácil. Na verdade, como sou oito ou oitenta, fica difícil escolher apenas cinco coisas que não sou, mas gostaria de ser, porque eu gostaria de ser tantas coisas! rs Mas, problemas psicológicos a parte, lá vão:

Apresentadora de programa na TV

reporter

Não, não. Se vocês me imaginam apresentando programas de auditório, tipo Faustão, Silvio Santos e Xuxa, tô fora! No entanto, programas tipo Larry King, Hard Talk da BBC, Oprah (que aborda assuntos desde o desastre do furacão Katrina, passando por todo tipo de auto-ajuda, até questões espirituais, ou seja, uma misturada só) e Marília Gabriela (mas, óbvio, muito menos exibida e deixaria os entrevistados falarem mais), eu faria com o maior gosto.

            

 

Escritora

escritor

Se vivemos a cultura de massa, não me importo nem um pouco em escrever algo que a multidão devore, fazendo, certamente, a continuação da receita que deu certo e ficar milionária por conta disso. Claro que a Warner pagaria pelos direitos autorais para a minha criação se tornar um filme – e aí, não tem pra mais ninguém. Isso mesmo! Gostaria de conseguir algo igualzinho a J.K Rowling (“Harry Potter”), Stephenie Meyer (“Twilight”), Dan Brown (“O Código Da Vinci”) e outros. Confesso que ficaria bem realizada.

 

Artista do ramo da música e da dança

simpsom

Tirando os dramas psicológicos de todos esses artistas, como Madonna, Michael Jackson, e não sei se Gene Kelly (“Singing in the rain”), eu adoraria saber dançar e cantar. Acho que até mais dançar do que cantar. Participar do grupo de dançarinos da Déborah Colker ou do grupo Stomp ou, até mesmo, participar daqueles famosos musicais da Broadway, tipo “O Fantasma da Ópera”, “Billy Eliot”, “A Bela e a Fera”, “Greese”, “Footloose”, e por aí vai. Acho muito legal!

 

 

Poliglota

idiomas

Adoro estudar idiomas! Não só aprender a se comunicar em outra língua, mas, através dela, conhecer profundamente os valores, as crenças, os costumes, enfim, a cultura de um povo. A linguagem, na minha opinião, é algo fascinante! Já pensou: ser capaz de traduzir certas obras literárias ou alguns dos meus livros e autores prediletos? Deve ser um trabalho bastante interessante.

 

Fotógrafa da National Geographic

logo_national_geographic

Imagine ir para os lugares mais exóticos e inóspitos do planeta!? Fotografar baleias, leões, ursos e apreciar paisagens excêntricas! Tem que ser aventureiro, sem sombra de dúvida, mas essas pessoas devem ter estórias pra contar e experiências pra lá de inusitadas. Precisa ser desgarrado de tudo, algo um pouco difícil pra mim que, no momento, preza pelo conforto e sensação de segurança, apesar de viver no mundo selvagem do Rio de Janeiro.

Êta carreira ingrata!

junho 1, 2009 por bolhalilas

jornalista-desempregado

Estava navegando em vários sites da internet, quando me deparei com uma chamada “muito interessante e relevante”. Eis o título: Site de jornal “descobre” nova tatuagem de Jolie.

???

Tatuagem de “Jolie”!?

E o pior é que eu me dei ao trabalho de clicar e ler a “matéria” (ou seja lá o que for isso).

Se continuar assim (com um jornalismo tão profundo, de um conteúdo tão essencial e elaborado, e que nos faz refletir sobre mais uma descoberta referente à tatuagem de uma celebridade), vou passar a escrever não mais numa Bolha, mas numa BOMBA!

Nessas horas, tenho vergonha do meu diploma de jornalismo. Êta carreira ingrata!

Aproveitando a frase de um comentário feito aqui na Bolha pelo meu amigo Lessa: “cá está o jornalismo na berlinda novamente”; só que agora em relação a total falta de assunto.

Para quem quiser se dar ao trabalho de ler:

http://diversao.terra.com.br/gente/interna/0,,OI3796746-EI13419,00-Site+de+jornal+descobre+nova+tatuagem+de+Jolie.html

Idade não é problema

maio 30, 2009 por bolhalilas

Freira

Conforme meu maridão falou, “a internet não tem limite de idade. Viu, Florzinha, você pode escrever no seu blog até completar os cem anos!”.

Esta foi a reação dele quando leu a reportagem abaixo no site da BBC sobre a idosa Maria Amelia Lopez, que descobriu a internet aos 95 anos.

“When I’m on the internet, I forget about my illness. The distraction is good for you – being able to communicate with people. It wakes up the brain, and gives you great strength”. (Maria Amelia Lopez)

Para os não adeptos ao mundo digital, ainda há tempo!

E ainda há tempo da Marília Gabriela, Jô Soares, David Latterman e a Oprah descobrirem a minha Bolha Lilás e me entrevistarem!!! Afinal, quando eu tiver 95 anos, essa galera terá o quê? Uns 120, 130 anos? Imaginem a entrevista: todo mundo falando sobre reumatismo, artrose, qual a melhor empresa de homecare, e de como a expectativa de vida deu chance para algumas pessoas se tornarem famosas. Ou seja, EU!

Devaneios à parte, é bacana perceber que existem pessoas que sabem lidar com a questão da velhice e que, mesmo com as limitações impostas pelo tempo de vida, ainda desejam aprender algo novo e trocar experiências, opiniões e pensamentos.

Ah, e já estava quase me esquecendo do link da notícia:

http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/8062760.stm

Outra versão

maio 30, 2009 por bolhalilas

Black Balloon

Andei pensando em fazer uma versão negra da Bolha Lilás. E o nome seria, claro, Bolha Negra.

Fico impressionada com as reportagens nos jornais online. Só tem desgraça!!! E acho que por ter mais tempo no momento, acabo tendo mais tempo também para refletir sobre tais notícias.

Será que sempre foi assim? Ou só agora acordei para os fatos? Não é possível que essa sensação de total impotência frente a toda desordem mundial seja porque hoje temos mais fácil acesso a todas elas. Será? Além de viver num Estado que já se transformou num caos, e que não tem o menor indício de melhora em curto prazo, parece que existem muitos outros lugares em condições totalmente desumanas! Não consigo nem achar palavras para descrever. Nem caos cabe aqui para descrever o total grau de conflito e tumulto em que inúmeros seres humanos “vivem”. Sim, vivem entre aspas, porque é muito aquém do que se pode considerar como sendo vida. Na verdade, essas pessoas sobrevivem.

Se eu for descrever todas as mazelas publicadas nas últimas semanas, acho que não termino esse texto nunca, além de me sentir angustiada, deprimida e impotente.

No entanto, para quem tiver interesse em compartilhar meus sentimentos (que, concordo, não se encaixam numa aura lilás), sintam-se à vontade.

Separei links de algumas reportagens que, ao meu ver, são importantes para refletirmos e pensarmos o que podemos fazer para melhorar, um pouquinho que seja, o nosso mundo – e, óbvio, conseqüentemente, as nossas vidas.

Não é possível que com toda a evolução do conhecimento, da tecnologia, e a experiência histórica também, não sejamos capazes de reverter esse quadro. Não sei a resposta, nem o que fazer. Só percebo que pagamos um preço bastante alto por isso. Não acham?

Eis os links para os interessados em ler:

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2009/05/22/um-rio-de-caos-755985165.asp

http://news.bbc.co.uk/2/hi/africa/8071347.stm

http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2009/05/29/mudanca-climatica-ja-causa-315-mil-mortes-por-ano-diz-estudo-756094515.asp