Jingle Bells!

dezembro 23, 2011

E aí, pessoal! Mais um Natal! Casas decoradas, presentes comprados (alguns ainda para comprar em cima da hora), ceia quase pronta e a correria para entregar lembrancinhas para aqueles que não irão passar os dias 24 e 25 conosco. Ufa! Cansativo.

Por um lado, é ótimo todo esse alvoroço e, por outro, um pesadelo. A cada ano que passa fica mais nítida pra mim a energia carregada desta época. Uns atropelando os outros nas ruas, nos shoppings; motoristas impacientes, vendedores exauridos por fazer tanta hora extra, e tudo isso recheado de ansiedade e nervosismo.

No entanto, também deve ser muito triste não ter ninguém para presentear e nem ser presenteado.

Na verdade, é muito difícil não nos contaminarmos com todo o apelo da mídia e das pessoas em geral em relação a essas datas – independente da crença ou religião, de gostar ou não do Natal. Ele vai acontecer todos os anos, quer queiramos ou não, e o ideal é tentar tornar esses dias o menos estressante possível.

Mesmo assim, todo ano me pergunto: Cadê o verdadeiro espírito natalino? A fraternidade, a confraternização, o espírito de solidariedade e de perdão?

A grande maioria da população comete o pecado da gula ao se entupir de tanto comer e beber nos dias festivos. As “confraternizações” de final de ano parecem mais um estorvo do que uma celebração. E, para completar, tanto aqueles que podem, como os que não podem, extrapolam o limite do cartão de crédito, comprando o que é mais supérfluo ao invés do que poderia ser útil e necessário.

Eu comprei, claro, mas tentei consumir com parcimônia e consciência. Decidi que esse ano, por exemplo, os pimpolhos da minha família serão presenteados com livros. Nada de brinquedos caríssimos e horrorosos que serão largados em questão de minutos para se tornarem lixo em breve. Para os adultos, procurei algo em conta e que vá realmente ter alguma utilidade em suas vidas.

No Natal do ano que vem, quero propor algo diferente para a minha família. Ao invés da costumeira troca de presentes, que tal pegarmos o dinheiro usado para este fim e, com ele, comprarmos produtos, comidas, remédios para aqueles que realmente precisam?

Porque, cá entre nós, por mim, no Natal, trocaríamos apenas palavras sinceras, abraços fraternos e nos reuniríamos em volta da mesa, antes ou após o jantar, para mentalizarmos boas vibrações futuras.

Esses são os meus sinceros votos para todos vocês!

Esse é pra vocês…

junho 17, 2010

Há tempos, estou com a ideia de escrever um texto em homenagem aos meus queridos leitores. Bem, deixa eu ser mais clara, se não alguns podem interpretar essa atitude como sendo “puxa saquismo”, “falsa modéstia” ou jogada de marketing para segurar os que se dão ao trabalho de ler o que escrevo. Mas, sinceramente, não é nada disso. Eu poderia responder todos os comentários que recebi, um por um, numa demonstração de consideração, respeito e educação. Uns eu até respondi, não através da ferramenta do blog, mas pelo meu e-mail e pessoalmente. Enfim, chega de embromação e vamos ao que realmente interessa.

A Bolha Lilás completou um ano de vida e eu nem havia percebido! Então pensei em escrever sobre esse tempo em que estou “blogando”, ou melhor “postando” na rede – e, óbvio, não seria possível contar essa experiência sem o retorno de vocês.

O legal do blog, principalmente para aqueles que gostam de escrever, ler e expor suas ideias (ou trocar ideias também, por quê não?), é justamente obter o feedback dos leitores sobre o assunto que o autor (no caso, blogueiro) publicou. Sem isso, pelo menos pra mim, esta ferramenta online – em que tornamos públicos nossos pensamentos e opiniões – não possui qualquer sentido. Deixaria meus textos arquivados em alguma pasta do computador e daria para aqueles que mais confio lerem. No entanto, quando nos propomos a ter um blog, temos que ter em mente que não necessariamente tudo que colocamos na internet agradará a “gregos e troianos”. E esse é um risco que, de fato, corremos, mas que, na verdade, corremos na vida em geral.

Com exceção de um “espírito de porco”, como dizia a minha avó, que enviou mensagens sarcásticas e de cunho depreciativo para a Bolha Lilás há um bom tempo atrás, todos os outros comentários recebidos neste espaço digital foram carinhosos, sinceros, informativos, opinativos e, acima de tudo, motivadores.

Por isso, agradeço as mensagens deixadas aqui por vocês e, também, pela atenção dedicada aos meus textos. Estou atenta às sugestões dadas como, por exemplo, continuar escrevendo sobre viagens e, futuramente, escrever sobre os livros que já li.

Espero que continuem curtindo o universo “lilás” (às vezes, nem tanto, eu sei) e compartilhando suas impressões, sensações e pontos de vista.

Àqueles que se animaram a fazer um blog, dou a maior força e, no que eu puder ajudar, é só falar.

Bon Voyage!

junho 4, 2010

Torre Eiffel

Roteiro certo de viagem para os pombinhos recém casados ou para os que já são e querem curtir uma segunda ou terceira lua-de-mel, Paris não precisa, na verdade, de pretexto para ser visitada. São inesgotáveis as atrações da cidade, a começar pela arquitetura belíssima presente em cada construção, monumento, praça e igreja.

Já tinha estado lá, mas nunca na primavera. E não há como negar o encanto que as flores de todos os tipos e cores proporcionam ao lugar. Outras características que saltam aos olhos de qualquer turista são as riquezas histórica, artística e cultural, além, é claro, do planejamento urbano da cidade.

O jardim de Luxemburgo.

Se puderem ficar na capital francesa durante duas semanas, seria o ideal, pois, assim, é possível cobrir boa parte do que Paris tem a oferecer sem correria. Caminhar a beira do Sena, curtir o sol nas praças e parques e saborear os quitutes pra lá de saborosos nos mais variados cafés parisienses são programas que não podem deixar de ser feitos. Croissants com geléia ou passas, puro ou de chocolate; panquecas com nutella em cada esquina e deliciosas tortas de maçã são apenas algumas das guloseimas com que me esbaldei e, óbvio, ganhei alguns kilinhos por conta da gula.

Basílica de Sacré-Coeur.

Todos que vão à “Cidade Luz” dão prioridade, é lógico, aos pontos turísticos mais visitados, reconhecidos e recomendados como a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, a Notre Dame, a Sacré-Coeur, a Sainte-Chapelle, o Dôme, o Panthéon, o Centro Pompidou, os Museus do Louvre e D’Orsay e os bairros badalados como o Opéra, o St-Germain-des-Pres, o Quartier Latin e a Champs-Elysées.

No entanto, tendo mais tempo, sugiro que conheçam o Museu Rodin, que é bastante interessante não só por causa das suas belas esculturas, mas também porque, na casa em que, hoje, é a sede do museu, viveu o artista a maior parte de sua vida. Lá são expostos, além de esculturas de sua autoria, quadros de diversos pintores, fotos, estudos realizados por ele até chegar aos seus trabalhos finais, além de obras de Camille Claudel – sua companheira amorosa e discípula –, as quais são tão surpreendentes quanto as feitas por ele.

O Beijo no Museu Rodin

Na mesma linha, vale a pena conhecer a casa do pintor Claude Monet, em Giverny, que tem como ponto alto o seu jardim e a famosa “ponte japonesa”. De fato, o local é um pouco afastado de Paris, mas o passeio não dura o dia inteiro, dando ainda para visitar o Palácio de Versailles. Em todo caso, recomendo tirar um dia para visitar apenas o Palácio, pois ele é imenso.

jardim da casa do Claude Monet.

Outro museu que sugiro é o L’Orangerie, especialmente para apreciar as “Ninféias”, de Monet. Este programa se torna ainda mais legal após a visita à casa do pintor impressionista.

E para o roteiro fechar com chave de ouro, não deixem de ir ao Vale do Loire e conhecer os vários castelos e estórias daquela região.

O Castelo de Chenonceau no Vale do Loire.

Enfim, opções de passeios não faltam. Paris é inesgotável, linda e charmosa.

Mas não se assustem com o comportamento, muitas vezes rude, de alguns parisienses – inclusive, de certos garçons –; com a quantidade de fumantes nas ruas, cujo aroma é de tabaco (dêem uma olhada nas sarjetas das ruas e notem a grande quantidade de guimbas de cigarro) e a noção diferente de higiene da população, que não é a mesma da nossa (os padeiros, por exemplo, pegam o pão que você vai comer com a mão e, logo depois, estão com esta mesma mão pegando o dinheiro para te dar o troco). Mas lembrem-se: isto é cultural, e todo viajante que se preze procura entender estas particularidades. Afinal, nada é perfeito.

Para as próximas férias, junte dinheiro, compre as passagens, arrume as malas e boa viagem!


Cúpula da igreja Dôme.

Mary and Max

abril 21, 2010


Este é o título de uma filmaço que assisti domingo, no Estação Vivo, no Shopping da Gávea. Aliás, apesar de ser distante da minha casa e do “precinho” salgado dos ingressos, o “sacrifício” tem valido a pena. As salas são pequenas e bastante confortáveis.

O filme é uma produção cinematográfica que deixa de ser, simplesmente, mais uma dentre várias animações norte-americanas a partir do momento que as personagens se revelam tão, ou mais, intensas quanto seres humanos. A estória tem humor, mas, ao mesmo tempo, é comovente, profunda e triste. O roteiro trata de assuntos existenciais com muita inteligência e delicadeza.

Diante do caos mundial, martelado incessantemente nas nossas cabeças pela mídia, fica aí uma boa opção de lazer que nos leva a refletir sobre algumas sutilezas da vida: amizade, relacionamentos, religião, sentimentos, fatalidades, doenças, preconceito, etc.

Não quero escrever mais pra não contar a estória, mas se ficou curioso, clique no link oficial do filme http://www.maryandmax.com/ e dê uma conferida.

Logo ali…

março 27, 2010

Quer dar uma relaxada, curtir uma temperatura amena em pleno verão e, principalmente, descansar? Que tal Campos do Jordão? Para os que já vão pensar que é caro, será, de fato, se forem na alta temporada – que lá é no inverno. Fora isso, o preço não é tão salgado e a cidade fica vazia e perfeita para aqueles que querem nada mais nada menos que sossego.

Nesses últimos meses, inclusive Ano Novo, eu queria mesmo era fugir deste calor infernal, do tumulto, respirar um ar mais puro e desfrutar do silêncio. Há mil e oitocentos metros acima do nível do mar, Campos do Jordão é o lugar para quem não é fã de calor. Enquanto os termômetros do Rio marcavam 40 graus, com sensação térmica de 47, na serra paulista, durante o dia, os termômetros não chegavam a 30 e ao entardecer, principalmente à noite, os termômetros registravam 14 graus! E não tem como não recorremos a um casaquinho básico. Tudo bem que tem uma galera que exagera com casacos de pele, gorros, luvas, botas, como se estivesse no Pólo Norte; mas fica aí uma distração e a constatação de que tem muito ser humano sem noção.

Alguns passeios são bem interessantes. O Horto Florestal, por exemplo, é ótimo pra quem gosta da natureza, de caminhadas e de atividades como tirolesa, arvorismo e outras do tipo. Já a visita ao Palácio do Governo é uma opção para quem gosta de museus; e, apesar da visita guiada ser bem fraquinha, há fotos e alguns arquivos que contam um pouco da história do Monteiro Lobato, além de quadros e objetos de outros artistas brasileiros, fazendo, assim, o passeio ficar interessante.

Horto Florestal

Se quiser contemplar a vista do Vale do Paraíba, o ideal é ir ao Pico do Itapeva ou à Pedra do Baú, mas este último fica em São Bento do Sapucaí, um pouco afastado de Campos do Jordão (e eu não fui; portanto, não sei se vale a pena).

No quesito comilanças, a gastronomia oferece pratos típicos da Alemanha. Os restaurantes mais badalados são o Baden Baden e a Bia Kaffee (http://www.biakaffee.com.br/), sendo que as melhores sobremesas, acompanhadas de um cappuccino pra lá de soboroso, só mesmo na Bia Kaffee. Não deixem de provar o magnífico Apfelstrudel!!! Para quem é “chocólatra”, não faltam lojas de chocolates e doces típicos da serra. Vale a pena também provar as mais variadas e deliciosas trufas.

O saboroso cappuccino!

O saboroso cappuccino!

Não poderia também deixar de indicar a hospedagem. Minha dica é a pousada temática do Canadá, o Canada Lodge (http://www.canadalodge.com.br/). O conforto, a criativa decoração e o excelente atendimento valem o preço cobrado pelo estabelecimento. O café da manhã é de altíssima qualidade e é servido das oito ao meio dia. Ele é tão farto e gostoso que fica difícil almoçar. Além disso, aos sábados, às seis da tarde, o staff oferece a imperdível “Sopa da Mama” (feita pela querida chef de cozinha, Antonieta).

A pousada Canada Lodge

Na verdade, não dá para ir a Campos do Jordão se estiver de regime, até porque comer bem é uma das melhores atrações deste passeio.

Mudança para pior

março 6, 2010

Faz tempo que ando deprimida por conta das mudanças em Niterói que, ao meu ver, foram pra pior. Os cariocas de plantão já vão pensar e dizer que o que Niterói tem de melhor é a vista pro Rio, mas acho que hoje nem isso!

Nasci aqui e não tenho do que reclamar da infância e adolescência vividas nesta cidade, mas nunca pude imaginar que, quando chegasse à fase adulta, sentiria tamanha tristeza e revolta por viver num lugar que simplesmente acabou.

Lembro da minha cidade como sendo um porto seguro, com identidade própria, praias belas e limpas, trilhas que nos levavam a vistas maravilhosas como as do “Parque da Cidade”, “Santo Inácio”, “Costão” e “Mourão” em Itacoatiara e a programas culturais que, óbvio, por ser uma cidade de pequeno porte, não tinha nem como ser comparados à vida cultural do Rio de Janeiro, mas tinham sua qualidade no entretenimento.

O barato daqui era justamente possuir traços de cidade do interior em que todos se conheciam, todos se encontravam, mas que se quiséssemos estávamos, em vinte minutos, ao lado dos grandes centros comercial, urbano e cultural do Rio de Janeiro.

Claro que tal realidade não poderia ficar estagnada. As cidades crescem, a população aumenta, as inovações são inevitáveis; mas por quê não são feitas de forma planejada?

A quantidade de moradores aqui aumentou absurdamente! É assustador o número de casas derrubadas e prédios e mais prédios sendo construídos. Eu costumo dizer que hoje moro num canteiro de obras. Mal acaba um edifício, já começa o bate estaca de outro.

No entanto, as ruas continuam do mesmo tamanho da época em que meus pais eram crianças. O acesso à “Ponte Rio-Niterói” continua sendo de uma via apenas: um funil. Os hospitais estão aos frangalhos e não dão nem de longe conta do povo daqui. Os cinemas sumiram! Se há três salas de projeção num único shopping, é muito. E o número é o mesmo para as salas de teatro. As livrarias também conto nos dedos.  É triste, não é?

O trânsito é assunto à parte. Percursos que antes eu fazia somente em dez ou quinze minutos de ônibus, hoje levo entre 40 minutos e uma hora. Isso quando não cai uma gota do céu e a cidade pára.

Conforme o velho ditado diz, “os incomodados que se mudem”; o jeito é seguir a risca e achar um lugar que eu me sinta mais em casa.

Resoluções 2010

janeiro 22, 2010

Começamos o ano fazendo várias promessas, mas, na menor distração, as propagandas de Natal já estão bombardeando todos os meio de comunicação. Na passagem do dia 31 para o dia primeiro, o ar se contamina de euforia, expectativas, superstições e uma lista – seja ela mental ou não – com todas as promessas de mudança e itens de compromissos para realizar no novo ciclo. Emagrecer, mudar de emprego, arranjar um namorado, fazer mestrado, começar a malhar, parar de fumar, viajar mais, enfim, uma infinidade de “tarefas” a cumprir.

De uns anos pra cá, percebi que não compartilho mais este clima de euforia.  Sei lá, não quero ser pessimista não; aliás, ando lutando faz anos contra isso. Mas comemoramos um futuro sem ter nenhuma noção do que nos espera ali na frente.  Ano passado, por exemplo, quinze dias após a virada de 2008 pra 2009, um ente querido da minha família faleceu. Era uma moça bonita, nova e que ninguém esperava um desfecho tão triste. E, assim, outros eventos traiçoeiros nos pregaram algumas peças no caminho. Mas, eu sei, faz parte. Assim é a vida.

Neste ano, mal a fumaça dos fogos se dissipou no ar e lá vieram péssimas notícias logo no primeiro dia do ano: o desabamento de casas e de uma pousada em Angra dos Reis e em vários outros lugares do Brasil. Do outro lado do mundo, o frio também castigou outros meros mortais. Mal acabou o mês de janeiro e lá vem mais desgraça: o terremoto no Haiti. Cenas horrorosas são transmitidas incessantemente na mídia. E nós seguimos com a nossa lista.

Muitos, a esse ponto, devem estar se perguntando: onde quero chegar? Na verdade, a lugar nenhum. Apenas gostaria de levar quem se interessou em ler este texto até aqui a uma breve e humilde reflexão.

Estamos ligados num botão automático, ansiosos, irritados, apressados, esmagados pelo sistema, o qual nos impele a nos tornarmos cada vez mais dependentes dele e, ao mesmo tempo, a acreditarmos que o que ele dita é o melhor pra nós. É mesmo? Quanto que a imagem é importante pra você? E o dinheiro? E os bens materiais? E o trabalho que realiza? Que busca incessante é essa que temos por uma felicidade que, muitas vezes, é imposta sem nem percebermos? É a sociedade que deseja que você se case, tenha filhos daqui a não sei quanto tempo ou é você que, no fundo, quer isso? Eu sei, eu sei, não temos como fugir e não temos como andar totalmente na contramão. Soa até falso; mas uma dose de reflexão, autocrítica e luta pelo que você realmente acredita não faz mal a ninguém – e pode fazer a diferença no momento de lutar em conjunto por um bem comum, concordam?

Proponho, assim, inserirmos em nossas listas a obtenção de uma consciência mais coletiva, de um consumismo mais saudável, de uma simplicidade que se perdeu no meio de toda essa modernidade e de uma felicidade que se basta pelo bom funcionamento do corpo, da mente e do espírito – e que preza pelos simples prazeres da vida.

Saudades da Bibi

dezembro 2, 2009

As caixinhas de Natal.

O Natal se aproxima e sempre fico bastante reflexiva neste período. E angustiada também por achar a energia carregada com as pessoas frenéticas atrás de presentes de Natal. Tendo religião ou não, o espírito natalino traz a ideia de confraternização entre as pessoas, mas são poucos que estão realmente atentos a esta questão. A maioria está preocupada em comprar, comprar e comprar, sem se dar conta de que o valor dos presentes não é simplesmente material. Às vezes, uma bela mensagem é bem mais gratificante.

Lembro-me bastante de quem me ensinou a pensar assim: minha doce e amada vovó Jandyra. Saudades imensas da minha Bibi! Da nossa Bibi, porque os que a conheceram, com certeza, sentem tantas saudades dela quanto eu; e, conforme a própria dizia, muitas vezes, em tom de ameaça: “quando eu morrer vocês sentirão muito a minha falta”. E, quanto a mim, ela acertou na mosca.

Bibi partiu deste mundo no dia 30 de novembro de 2007, um dia antes do meu chá de panela. Um período confuso, de muitas mudanças na minha vida, desafios no trabalho, mudança de casa, preparativos de casamento; mas ela cumpriu o que sempre me prometera: que completaria 100 anos.

Minha avó se julgava uma pessoa sem graça, mas de sem graça ela não tinha absolutamente nada. Muito teimosa e metódica, dizia que conhecia o mundo através da leitura e só hoje percebo que possuía grande sabedoria. Cheia de qualidades e defeitos, eu ainda a amo de paixão e a imagino sempre na hora que vou dormir puxando meus pés com as mãos frias como costumava fazer ao me acordar pra ir à escola. Ela dizia: “quando eu passar desta pra melhor, voltarei para puxar o pé de vocês (meu e dos meus primos) e assim mostrar que ainda estou por aqui tomando conta de vocês”. Muitos acharão macabro; e nós mesmos, na época, falávamos: “Cruzes Vó!” No entanto, até hoje ela não puxou meu pé, mas sinto fortemente a presença dela ao meu lado.

São inesquecíveis os momentos vividos ao lado de vovó Jandyra. O cheiro da broa de milho no fim da tarde que comíamos com café, a torta de banana com canela, os doces em compota, as trouxinhas de alface (que ela inventava para nos forçar a comer verduras), a maçã raspadinha, a hora das novelas, o chá preto antes de dormir, a conversa com as plantas, o rádio ao pé do ouvido em que escutava A Hora do Brasil, as aulas de artesanato em que ela nos ensinava tapeçaria, a criação de cartões de natal, a decoração de sabonetes com figurinhas e esmalte, a coleção de selos, figurinhas e revistas, a estória do Jorginho (que minha mãe nunca deixou ela contar até o final, porque chegava um ponto tão triste da narrativa que a minha mãe, ainda bem pequena, começava a chorar de tristeza pela desgraceira que era a vida do Jorginho, impossibilitando a minha avó de terminar a estória, que, por sinal, tinha um final feliz, cheio de ensinamentos morais).

Bem, não é possível relatar 100 anos de vida em apenas uma página de blog, mas dá ao menos para expor minha saudade e homenagear a minha querida vózinha.

Hoje, percebo o imenso afeto que a minha avó tinha pelos seus filhos e netos e que a presença dela continua tão intensa em nossas vidas que, neste Natal, eu e minha mãe estamos enfeitando caixinhas para presentear familiares e amigos. Enquanto escolhemos os tecidos, cortamos cartolinas, discutimos quem vai fazer o que e como, lembramos que vovó Jandyra adorava este tipo de atividade. Além disso, recordamos também os vários provérbios populares que Janjan (ou Florzinha, como a minha irmã mais velha costumava chamá-la) dizia de acordo com a situação apresentada – e que, atualmente, a família usa e, claro, lembra dela.

Eis alguns provérbios que, com a ajuda da minha mãe e da minha prima Anninha, anotei para usar e nunca esquecer:

“Recordar é viver; é transformar num sorriso o que nos fez sofrer”.

“Este mundo é um penico sem fundo”.

“A oportunidade é careca”.

“Sua alma, sua palma”.

“O que é seu, nas suas mãos há de vir”.

“Quem come e guarda, come duas vezes”.

“Formiga, quando quer se perder, cria asa”.

“Boa romaria faz quem em sua casa fica em paz”.

“Quem com os porcos se mistura, farelo come”.

“Diga-me com quem andas e te direi quem és”.

“Pela carruagem se vê quem vem dentro”.

“Tudo demais faz mal”.

“Seja tudo pelo amor de Deus”.

“Deus infinito poder está em mim, me guia e me protege”.

Além destes, minha prima lembrou de algumas frases bem típicas usadas por ela em algumas situações, por exemplo:

Sempre que vovó Jandyra estava perdendo numa discussão, terminava o debate num rompante dizendo: “Ah! Então não quero saber… Até logo, hein?!”.

Ou, quando ia contar algo sobre o passado dela, começava assim: “No tempo em que eu era gente…”

Quando discutíamos sobre religião, afirmava: “Eu não sou espírita, eu sou es-pi-ri-tu-a-lis-ta”.

E dizia sempre que era mais importante ser bonito por dentro do que por fora porque a juventude passa.

Termino este texto entre gargalhadas, lágrimas e muito feliz por constatar que tive a sorte de ter uma avó e tanto!

É, vovó Jandyra, de fato sinto muito a sua falta! “Recordar é viver…” e me contentar com as suas delicadas lembranças.

Desejo a todos, que acompanham a Bolha Lilás, um Natal repleto de harmonia, saúde e paz. Celebrem a vida, pois conforme dizia a minha avó: “Ninguém sabe o dia de amanhã”.

Palhaçada

outubro 20, 2009

Bozo1Dei um tempo para digerir o assunto Olimpíadas 2016 e confesso: desisto. Podem me chamar de chata, mal humorada, pessimista, blá, blá, blá, blá, blá… O fato é que, depois de tudo que vi e li sobre o assunto, chego à triste conclusão de que há um número muito, mas muito restrito de pessoas que fazem uma análise lúcida a respeito do tema (não me incluo neste grupo, pois não possuo a frieza necessária para tal).

Na minha opinião, tanto faz quem é “pró”, “contra” ou “meio termo”, porque, no fundo, o roteiro deste evento não será diferente de tantos outros que já li, vivi e presenciei. Será mais um Carnaval, um jogo de Copa do Mundo ou de vôlei em qualquer Olimpíada, no qual nos sentimos brasileiros neste momento de euforia – e festejamos; mas, na verdade, não queremos discutir, participar e nem nos aporrinhar com absolutamente nada (porque, vamos ser sinceros, para exercermos a nossa cidadania – e, com isso, exigirmos dos nossos representantes os nossos direitos – temos que dar conta dos nossos deveres, que não são apenas os de pagar impostos, votar, fazer coleta seletiva do lixo e não avançar o sinal de trânsito). Vai bem além disso. Mesmo assim, “A gente vai levando, a gente vai levando” – lembram desta canção do Chico Buarque?

Poderia expor aqui uma análise super elaborada; levar dias para terminar este texto; pedir para várias pessoas, nos seus diferentes posicionamentos, lerem e debaterem o que escrevi antes de publicar no blog. Entretanto, isso tudo se torna inútil quando, mais uma vez, constato que, neste País, as mudanças sempre ocorrem de fora pra dentro e não de dentro pra fora.

Desculpe o desabafo.

Conhece Ouro Preto?

outubro 1, 2009
Praça Tiradentes

Praça Tiradentes

Pois é, eu ainda não conhecia e fui lá conferir. Sempre ouvi falar que é uma cidade que vale muito a pena visitar, principalmente pela sua importância histórica para o Brasil. Também sempre ouvi dizer que, para ir a Ouro Preto, a pessoa tinha que gostar muito de caminhar e estar preparada para subir e descer ladeiras. Além disso, deveria ter disposição para conhecer igrejas.  São, ao todo, treze, se não me engano, e se der visite todas, o que nem sempre é possível por algumas estarem em restauração e outras, infelizmente, abandonadas.

No entanto, há um pequeno problema que eu achava que era uma preocupação apenas dos alérgicos como eu: o mofo. E, de fato, percebemos que essa é a  preocupação número um de vários turistas.

Descolamos uma pousada recém inaugurada chamada Pousada dos Ofícios. Muito boa, com preço justo e que fica bem perto do Centro Histórico (ou seja, da para ir a pé até lá). Falando em andar a pé, deve-se ter em mente que este é um “quesito básico”, já que o trânsito em Ouro Preto é um verdadeiro caos. Ficamos surpresos e chocados com a permissão do tráfego de ônibus, carros, vans (isso mesmo vans!) e motos dentro do Centro Histórico. O resultado disso se resume a pedestres se espremendo nos meio-fios, pois não existe calçadas com largura suficiente para duas pessoas, e, somado a isso,  muito barulho e fumaça.

Para aqueles que acham que chegariam a uma pacata cidade do interior, vocês estão muito enganados. Fui em baixa temporada e encontrei considerável movimento. Esqueci de dizer que, além de turística, Ouro Preto também é uma cidade universitária; logo, o que mais se encontra lá são bares onde os estudantes se reúnem.

A culinária mineira é famosa pelo seu tempero carregado e é, realmente, uma delícia; porém confesso que, durante os seis ou sete dias em que fiquei lá, não consegui jantar em nenhum deles. O café da manhã é quase um almoço com sucos, bolos, pãezinhos de queijo, frios e várias outras guloseimas. Por conta disso, costumávamos almoçar tarde, a partir das três horas, e nosso prato era, obviamente, servido com todos os quitutes “à mineira”. Isto sem falar na sobremesa!!! Doce de figo, laranja, abóbora, goiabada cascão, doce de leite, hummmmmmmmmmmm! Mas não se preocupem: tudo é queimado nas subidas e descidas das ruas de Ouro Preto.

Exposição sobre a Monalisa na Casa dos Contos

Exposição sobre a Monalisa na Casa dos Contos

Os museus que ninguém deve deixar de ir são o Museu da Inconfidência, Museu do Oratório, Museu do Aleijadinho, Museu de Arte Sacra de Ouro Preto, além da Casa Guignard e da Casa dos Contos, na qual havia uma exposição bem interessante sobre a Monalisa. Só para esclarecer, eu achei, a princípio (e meu marido também), que o nome “Casa dos Contos” fizesse menção a contos ou literatura, mas na verdade não é nada disso. O nome é este porque, no passado, em 1784, o estabelecimento foi uma residência e, depois, passou a ser a “Casa de Contratos”, destinada à arrecadação de impostos. Em 1789, ela serviu também como a prisão dos Inconfidentes, além de sede da Administração Pública da Capitania de Minas Gerais.

E, para terminar, não deixem de ir a Mariana. Fica a 20 minutos de carro e, lá sim, encontramos uma pacata cidade do interior. Além de haver mais igrejas e museus de arte sacra para visitar, há o interessantíssimo passeio à Mina da Passagem. Imperdível! De acordo com as informações que li, esta é a maior Mina de Ouro aberta à visitação no mundo. A descida para as galerias subterrâneas se faz através de um trolley, que chega a 375 metros de extensão e 120 metros de profundidade, onde se vê ainda um lago natural em que é comum a prática de mergulho por profissionais. A temperatura dentro da mina é estável, entre 17 a 20 graus, e, desde a sua fundação, no início do século XVIII, foram retiradas aproximadamente 35 toneladas de ouro.

Mina da Passagem

Mina da Passagem

Ainda no final deste passeio, o guia demonstra como era realizada a última fase de extração do ouro.

Quem se interessar e quiser dicas, é só falar!


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