Começamos o ano fazendo várias promessas, mas, na menor distração, as propagandas de Natal já estão bombardeando todos os meio de comunicação. Na passagem do dia 31 para o dia primeiro, o ar se contamina de euforia, expectativas, superstições e uma lista – seja ela mental ou não – com todas as promessas de mudança e itens de compromissos para realizar no novo ciclo. Emagrecer, mudar de emprego, arranjar um namorado, fazer mestrado, começar a malhar, parar de fumar, viajar mais, enfim, uma infinidade de “tarefas” a cumprir.
De uns anos pra cá, percebi que não compartilho mais este clima de euforia. Sei lá, não quero ser pessimista não; aliás, ando lutando faz anos contra isso. Mas comemoramos um futuro sem ter nenhuma noção do que nos espera ali na frente. Ano passado, por exemplo, quinze dias após a virada de 2008 pra 2009, um ente querido da minha família faleceu. Era uma moça bonita, nova e que ninguém esperava um desfecho tão triste. E, assim, outros eventos traiçoeiros nos pregaram algumas peças no caminho. Mas, eu sei, faz parte. Assim é a vida.
Neste ano, mal a fumaça dos fogos se dissipou no ar e lá vieram péssimas notícias logo no primeiro dia do ano: o desabamento de casas e de uma pousada em Angra dos Reis e em vários outros lugares do Brasil. Do outro lado do mundo, o frio também castigou outros meros mortais. Mal acabou o mês de janeiro e lá vem mais desgraça: o terremoto no Haiti. Cenas horrorosas são transmitidas incessantemente na mídia. E nós seguimos com a nossa lista.
Muitos, a esse ponto, devem estar se perguntando: onde quero chegar? Na verdade, a lugar nenhum. Apenas gostaria de levar quem se interessou em ler este texto até aqui a uma breve e humilde reflexão.
Estamos ligados num botão automático, ansiosos, irritados, apressados, esmagados pelo sistema, o qual nos impele a nos tornarmos cada vez mais dependentes dele e, ao mesmo tempo, a acreditarmos que o que ele dita é o melhor pra nós. É mesmo? Quanto que a imagem é importante pra você? E o dinheiro? E os bens materiais? E o trabalho que realiza? Que busca incessante é essa que temos por uma felicidade que, muitas vezes, é imposta sem nem percebermos? É a sociedade que deseja que você se case, tenha filhos daqui a não sei quanto tempo ou é você que, no fundo, quer isso? Eu sei, eu sei, não temos como fugir e não temos como andar totalmente na contramão. Soa até falso; mas uma dose de reflexão, autocrítica e luta pelo que você realmente acredita não faz mal a ninguém – e pode fazer a diferença no momento de lutar em conjunto por um bem comum, concordam?
Proponho, assim, inserirmos em nossas listas a obtenção de uma consciência mais coletiva, de um consumismo mais saudável, de uma simplicidade que se perdeu no meio de toda essa modernidade e de uma felicidade que se basta pelo bom funcionamento do corpo, da mente e do espírito – e que preza pelos simples prazeres da vida.


Dei um tempo para digerir o assunto Olimpíadas 2016 e confesso: desisto. Podem me chamar de chata, mal humorada, pessimista, blá, blá, blá, blá, blá… O fato é que, depois de tudo que vi e li sobre o assunto, chego à triste conclusão de que há um número muito, mas muito restrito de pessoas que fazem uma análise lúcida a respeito do tema (não me incluo neste grupo, pois não possuo a frieza necessária para tal).


Alguém aqui acha que as desigualdades socioeconômicas entre as pessoas poderiam ser bem menores do que são e sempre foram? Sim? Não? Bem, eu tinha as minhas dúvidas até assistir, no canal 







