Alguém aqui acha que as desigualdades socioeconômicas entre as pessoas poderiam ser bem menores do que são e sempre foram? Sim? Não? Bem, eu tinha as minhas dúvidas até assistir, no canal ManagemenTV, a uma entrevista com o banqueiro dos pobres, MUHAMMAD YUNUS. Peguei o programa pela metade, mas deu para ter uma idéia do que se tratava o assunto.
MUHAMMAD YUNUS é o fundador e diretor do “Banco Grameen”, uma fundação que tem como objetivo terminar com a pobreza global. Muitos dirão que o cara é doido, sonhador, utópico etc; no entanto, ele comprova, “por A + B”, que esta “utopia” é possível – e que, no caso dele, vem dando ótimos resultados. Segundo YUNUS, a “Fundação Grameen” usa a micro finança e a inovação tecnológica com o intuito de lutar contra a pobreza global, criando, assim, oportunidades para os excluídos.
A dinâmica acontece da seguinte forma: primeiro, a pessoa pega um empréstimo pequeno no banco com a intenção de investir em alguma atividade econômica local (seja vender ovos de galinhas, seja comprar vacas e, depois, vender seu leite, seja produzir artesanatos, e assim por diante). O valor, que esta pessoa pega emprestado com o banco, é pago em um prazo curto; e, conforme o crescimento do negócio, ela adquire, novamente, outro empréstimo – só que num valor um pouco mais alto. O resultado é surpreendente: as pessoas, na grande maioria das vezes, conseguem desenvolver, com sucesso, o seu negócio e obter sua subsistência. Mais surpreendente ainda é constatar que o número de calotes e “cheques sem fundo” é quase nulo e que 34 milhões de pessoas em 24 paises foram beneficiadas por esse banco!
Outro fato que chamou minha atenção foi o relato dele em relação ao trabalho que a “Grameen” desenvolve com os mendigos. Os funcionários da instituição financeira conversam com estas pessoas e tentam convencê-las de que, ao invés de gastarem o seu tempo pedindo esmolas, elas poderiam oferecer algum tipo de serviço. Que peçam esmolas, mas porquê não prestar, paralelamente, algum serviço? Mais uma vez, o resultado é bastante interessante: muitos mendigos pararam de pedir esmolas e começaram a ganhar dinheiro em troca de serviços prestados ou em troca de produtos – na maior parte artesanatos – produzidos por eles mesmos. Outros continuaram a pedir esmolas, mas, pelo menos, começaram a utilizar parte dos seus dias para ganhar uns trocados, tal como qualquer trabalhador.
De acordo com MUHAMMAD, qualquer ser humano tem capacidade criativa e potencial empreendedor, sendo necessário, tão-somente, que lhe seja dada uma oportunidade. Aliás, na sua opinião, a pobreza poderia ser erradicada, faltando, apenas, vontade cívica e política.
Nunca fui engajada politicamente; vivi a adolescência dentro do padrão de alienação do jovem de classe media brasileira. Contudo, conviver com a desigualdade sempre me gerou desconforto. Já participei de programas voluntários; elaborei uma dissertação sobre o programa de voluntariado do Hospital do INCA e participei de outros projetos em prol daqueles menos afortunados. Entretanto, o que eu gostaria mesmo era de trabalhar com algo em que vislumbrasse mudanças e resultados de forma realmente eficaz.
Depois de conhecer MUHAMMAD YUNUS e seu “negócio social”, percebi que, se quisermos fazer a diferença e proporcionarmos transformações relevantes em nossa sociedade, necessitamos apenas de boas idéias, iniciativa e disposição para arregaçar as mangas.
Admito que ainda não fiz nenhuma delas. Em todo caso, divulgo, neste blog, desde já, o excepcional trabalho desenvolvido por YUNUS, cujos efeitos benéficos, na esfera social e econômica, somente poderão ser avaliados, de forma mais profunda, daqui a muitos anos – principalmente porque o projeto não tem como objetivo fazer, de maneira simplista, caridade, mas, sim, inserir a população de baixíssima renda no mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que se viabiliza a criação de melhores condições de vida, fruto de um pensamento solidário e sob um espírito de fraternidade.
De acordo com o site da “Grameen Foundation”, há algumas maneiras de ajudá-los, sendo que uma delas se chama “spread the word”, o que significa divulgar este empreendimento para a sua rede de contatos.
Interessei-me pela causa e a estou divulgando aqui! Para os que tiverem curiosidade neste assunto, a entrevista com o banqueiro vai passar novamente na ManagemenTV, dia 02 de setembro, próxima quarta-feira, às 16 horas.